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O feedback como peça crítica do processo de venda

O feedback é peça crítica do processo de venda. É o que permite ao vendedor ajustar processos, atividades e atitudes para aproveitar melhor cada oportunidade que chega à sua frente. E isto bate diretamente nos resultados da equipa.

Nas equipas com quem trabalho em consultoria e formação, e sobretudo em muitos diagnósticos internos, a “falta de feedback” aparece sistematicamente no top das queixas.

Há dados que provam que colaboradores que recebem feedback eficaz se sentem motivados a desempenhar melhor o seu trabalho.

Ou seja, não é um tema simpático. É um tema decisivo para qualquer líder que queira vender mais e melhor através da sua equipa comercial.

Mas há um ponto que quase ninguém fala. O feedback é uma via de dois sentidos.

Sim, há muitas falhas dos líderes na forma como dão feedback. Falta preparação, falta método, falta coragem. É uma área onde a maioria das empresas tem muito caminho a fazer.

Só que quase ninguém fala do outro lado. Do vendedor que recebe o feedback.

Será que a reação é sempre positiva e madura?
A minha experiência diz claramente que não. E é precisamente por isso que muitos gestores começam a evitar dar feedback. Entram num ciclo vicioso. Quanto pior é a reação, menos feedback existe, e quanto menos feedback existe, pior é a performance da equipa.

 

Hoje, vou falar-vos disto. Vendedores que reagem mal ao feedback.

 

As reações negativas têm causas emocionais e psicológicas bem claras. Vou destacar as três principais.

  1. Autoestima baixa

Quando a autoestima está em baixo, qualquer feedback é sentido como um ataque pessoal. Em vez de ouvir “podes melhorar este comportamento”, a pessoa ouve “tu és fraco”, “tu não serves”.

Pessoas com baixa autoestima tendem a transformar feedback negativo numa confirmação das suas próprias inseguranças. Resultado, entram em modo defensivo para proteger a sua autoimagem.

 

  1. Medo de falhar

Quem tem um medo forte de falhar vê o feedback negativo como prova de que não está à altura. O corpo entra em modo luta ou fuga.

Nestes casos, o feedback não é percebido como oportunidade de crescer, mas como ameaça à carreira, à imagem ou à segurança profissional. A ansiedade sobe, a tolerância ao risco desce e qualquer comentário corretivo vem carregado de peso emocional.

 

  1. Perceção de injustiça

Quando o vendedor sente que o feedback é injusto, pouco claro ou desajustado à realidade, a reação negativa é quase automática.

A forma como o colaborador percebe a justiça do processo é determinante para aceitar ou rejeitar o feedback. Se sente que está a ser tratado de forma injusta, entra em resistência e fecham-se portas à mudança.

 

Outras causas que vejo frequentemente no terreno
 
  • Experiências passadas negativas
    Se ao longo da carreira o vendedor recebeu feedback dado de forma agressiva ou humilhante, é natural que crie anticorpos. Sempre que ouve a palavra “feedback”, o corpo lembra-se do episódio anterior e entra em modo defesa.
  • Cultura organizacional tóxica
    Em empresas onde a comunicação é fraca e o ambiente é de culpa permanente, o feedback deixa de ser visto como ferramenta de crescimento e passa a ser instrumento de controlo ou punição. Nesses contextos, o vendedor reage mal porque já associa feedback a ataque.
  • Relação fraca com o líder
    Quando não há confiança, o feedback é visto com suspeita. Mesmo que o conteúdo seja válido, a pessoa pensa “ele não está por mim” ou “ela tem outra agenda”. A qualidade da relação entre líder e vendedor impacta diretamente a forma como o feedback é recebido.
  • Sensação de sobrecarga
    Se o vendedor já está com a cabeça cheia, a agenda rebentada e pressão de resultados, é natural que receba feedback como mais uma coisa para fazer, mais uma exigência, mais peso. A disponibilidade mental para integrar mudanças fica muito limitada.

Tudo isto é importante de entender. Para o vendedor e para o gerente. Sem esta leitura emocional, continuamos a falar de feedback como se fosse uma técnica, quando na verdade é uma conversa entre humanos, com medos, histórias e expectativas.

 

Sim, há muito para melhorar em liderança e cultura. Mas também é verdade que muitos vendedores continuam a empurrar a responsabilidade toda para o líder. E não dá. Quem quer crescer em vendas tem de assumir o seu papel ativo no processo.

 

Por isso, aqui vão, na minha opinião, os 10 erros mais frequentes dos vendedores na hora de receber feedback.

 

  1. Entrar logo em defesa

“Eu faço sempre assim e costuma resultar.”
“Os clientes é que estavam muito difíceis desta vez.”

  1. Levar para o lado pessoal

“Então achas que eu sou um mau vendedor”
“Estás a dizer que eu não sirvo para isto”

  1. Não fazer perguntas nem pedir mais detalhe
    “Certo, já percebi.”
    “Está bem, vou ver o que consigo fazer.”

Por fora parece aceitação. Por dentro não mudou nada.

  1. Ignorar o feedback

“Não acho que valha a pena fazer diferente.”
“Eu já tenho a minha maneira de trabalhar.”

  1. Falta de acompanhamento depois
    “Pensei que já estava tudo bem, por isso nem te disse nada.”
    “Não achei necessário atualizar depois daquele feedback inicial.”
  2. Focar só no negativo

“Então não faço nada como deve ser.”
“Tudo o que ouvi foi aquilo em que estou a falhar.”

  1. Não agir, só enrolar

“Vou tratar disso quando tiver mais tempo.”
“Não sei se vou ter oportunidade de aplicar essas mudanças.”

  1. Culpar os outros

“Os leads que me chegam não prestam.”
“O marketing não está a ajudar.”

  1. Analisar em excesso

“Estou a pensar em como aplicar o feedback de forma estratégica.”
“Vou avaliar todos os pontos com calma antes de mexer no que quer que seja.”

Análise sem ação é só adiamento chique.

  1. Aplicar de forma inconsistente
    “Estou a tentar, mas às vezes esqueço-me.”
    “Mudei um pouco a abordagem, mas ainda estou a ajustar.”

Estas frases são sintomas claros de resistências naturais. Fingir que não existem é desperdiçar uma oportunidade de desenvolvimento. E é também sinal de liderança fraca ou ausente, que não coloca o tema em cima da mesa.

 

Para fechar, deixo três dicas para vendedores e três dicas para líderes.

 

Para vendedores que querem crescer com feedback

  1. Mente aberta
    Olha para o feedback como uma aula privada sobre o teu desempenho. Em vez de pensar “estão a atacar-me”, pergunta “o que é que isto me pode ensinar”. Respira, ouve até ao fim, tira notas. Só depois respondes.
  2. Faz perguntas
    Mostra que estás realmente interessado em perceber. Pede exemplos concretos, situações específicas, sugestões práticas. “Quando dizes isto, consegues dar-me um exemplo de situação real?” é uma pergunta poderosa.
  3. Age sobre o feedback
    Cria um plano simples com duas ou três ações concretas, datas e métricas. Partilha esse plano com o teu líder e combina momentos de revisão. Feedback só faz diferença quando passa do papel para o terreno.

 

Para líderes que querem dar feedback com impacto

  1. Sê específico e construtivo
    Feedback genérico é ruído. Fala de comportamentos observáveis, momentos concretos e impacto nos resultados. Em vez de “tens de vender mais”, experimenta “notei que a tua taxa de conversão e o ticket médio baixaram nas últimas quatro semanas, o que achas que está a acontecer e o que podemos testar para inverter esta tendência”.
  2. Equilibra reconhecimento e desafio
    Encontra o ponto certo entre crítica e elogio. Começa por reconhecer o que está a correr bem, depois entra na área a melhorar com clareza e respeito, e fecha reforçando confiança na capacidade da pessoa mudar.
  3. Dá acompanhamento, não apenas opinião
    Feedback é um processo contínuo. Combina follow up, revê avanços, ajusta o plano. Mostra que estás disponível para apoiar e não apenas para apontar falhas.

No fim, vale a pena recordar.

 

Feedback não é sobre o teu ego, é sobre o teu desenvolvimento. E é uma das ferramentas mais rápidas para desbloquear o teu próximo nível como vendedor.

 

E, como diz Ken Blanchard, feedback é a comida dos campeões.

 

E tu, como é que tens tratado o feedback na tua vida profissional e pessoal?

Estás a usá-lo como combustível ou estás a fugir dele como se fosse um ataque?

 

Sucesso em Vendas Portugal, do plano ao resultado.

Pedro Ruivo

Crazy Strategic Sale

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